Uma espécie de CV da Companhia.
11 anos de espectáculos com as respectivas sinopses, cartazes, fotografias e fichas técnicas.
21 de setembro de 2009
Uivo do Coiote
Sinopse
I – Atmosferas
Atmosferas, sucessão de curtas metragens, fragmentos de vidas - quase um vitral, difuso de cores, quente perturbante. A amálgama de sensações que compõem uma visão, base de qualquer arte, da qual o teatro é por vezes dissociado (sob pretextos perfeitamente abomináveis, como a "compreensão do público", tantas vezes preguiçoso no "esforço" de ver e ouvir, livre de consumo-referências e imediatismos), obriga necessariamente a uma profunda reflexão, despreocupação estética, limpeza de parâmetros condicionantes, mesmo sob o risco, não de falhar, mas da intolerância. A "fuga" ao público com tudo aquilo que se pode pressupor de perverso, - ter de agradar obrigatoriamente ao número máximo de Poderes e Poderzinhos (ambos na sua maioria medíocres) negando assim o próprio conceito de Arte. Pior, alienação, criação de padrões, de conceitos mais ou menos vagos e perfeitamente fascinantes, são o grande estandarte dos chamados agentes culturais, que mais não fazem senão um empenhamento ético em troca de um eleitorado cada vez mais instável e imprevisto.
II Uma Atitude
Subsistem ainda e teimosamente, os contadores de histórias. Indivíduos quase extintos que enfermam de um "mal" acrescido - A Ética.
Toda a transpiração da vida e obra do autor, apesar de nos fazer rir umas vezes e sorrir quase sempre, é, na realidade, uma cruel marginalização, um acto de sobrevivência, onde o direito à diferença é escamoteado em nome de uma moral desacreditada.
Luiz Pacheco é de facto uma personagem marcante na vida literária portuguesa que, ainda ousada, vai felizmente arreliando as instituições e mitos que este país fabrica.
Não foi a sua atribulada vida que nos serviu de inspiração, mas sim a sua atitude existencial.
Trata-se, pois, de um reconhecimento ao Luiz Pacheco, uma homenagem de uns poucos para uns quantos.
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