30 de setembro de 2009

Carrapateco



Sinopse

"Não custa nada inventar... pois não! Não custa nada inventar palavras, pessoas, brincadeiras, confusões..."
Um espectáculo brincadeira! E foi o que fizemos.
Tendo como base textos para palhaços de Maria Alberta Menéres e de António Torrado, construímos um espectáculo essencialmente lúdico, onde procuramos estimular o espírito criativo e a construção abstracta como forma de expressão liberta de regras e lógicas impostas por um mundo "adulto".

Ficha Técnica

A partir de textos de António Torrado e Maria Alberta Menéres
Adaptação, Conceito e Direcção Carlos Curto
Interpretação Ana Ademar, Celino Santos e Sandra Maya
Máquina de Cena e Grafismo Luís Valido
Figurinos Zé Nova
Música Projecto GoG (Luís Vitorino, Genoveva Faísca e Carlos Curto)
Desenho de Luz Carlos Curto e Miguel Conceição
Construção Cenário Luís Santiago
Confecção de Guarda-Roupa Constança Cara Nova e José Nova



 

Uma Produção Lendias d'Encantar, 2007
 

Sangue Pisado



Sinopse

Sara e Maria são duas terroristas que estão presas. Na sua cela vivem o jogo dramático da culpa, das justificações, das motivações, das incertezas e das convicções. Na prisão sofrem o jogo bárbaro da tortura, da chantagem e da sobrevivência negociada ao pormenor. Na cela  encontram-se com os seus fantasmas e pesadelos. Na cela confrontam-se a vingança e o ódio, as causa políticas, a missão e o dever.
Sara e Maria são duas terroristas que estão presas ao eco dos seus actor brutais. Na cela há sangue pisado por trás de cada palavra. Na cela pairam e caem no chão mulheres, mães, filhos.
Sara e Maria são duas terroristas que estão condenadas a combater. Na cela as suas vidas fundem-se e explodem. Na prisão decide-se o destino e o significado da sua luta.

Ficha Técnica

Texto António Manuel Revez
Encenação Júlio César Ramirez
Direcção Artística António Revez
Interpretação Ana Ademar, António Revez e Sandra Maya
Música Paulo Ribeiro
Desenho de Luz Miguel Conceição


 
 
 

Uma produção Lendias d'Encantar, 2007

Jangada de Pedra



Sinopse

Uma fenda aberta ao longo dos Pirinéus provoca a separação do Continente Europeu da Península Ibérica. Os personagens Joaquim Sassa, José Anaiço, Joana Carda, Pedro Orce e El Perro viajam através da península procurando uma explicação para o fenómeno ocorrido, sentido-se culpados pelo sucedido por terem lançado uma pedra, por terem um bando de estorninhos sobrevoando as suas cabeças, por sentirem a terra tremer, por terem transformado o seu percurso numa viagem infinita.
O que sucede em consequência é um encontro entre seres humanos solitários, que necessitam da companhia uns dos outros apesar das incontáveis fendas ou rupturas que tenham vivido nas suas vidas. Ocorre um encontro visceral, emotivo e carnal que provoca uma comoção em todos e os obriga a repensar o futuro. Intuem que devem encontrar em si mesmos as novas personalidades que aspiram vir a ser.
Jangada de Pedra é também uma metáfora sobre a realidade actual do mundo em que vivemos, cheio de rupturas. Trasnformar a Península Ibérica numa grande ilha e que essa ilha fique ancorada no Sul, entre África e América, não é mais que uma visão utópica de um reencontro cultural entre povos peninsulares com os do outro lado do Atlântico. A Europa tem a oportunidade de se fazer transportar até ao sul de modo a redimir-se dos seus excessos colonialistas antigos e modernos e contribuir para o equilíbrio mundial.

Ficha Técnica

Obra Original José Saramago
Adaptação e Dramaturgia Omar Valiño
Encenação Júlio César Ramirez
Interpretação António Revez, Beatriz Viña, Celino Penderlico, Maikel G. Ortiz e Yansamil Nuñez
Banda Sonora Paulo Ribeiro
Músicos Paulo Ribeiro e César Filipe
Desenho de Luz Miguel Conceição









Uma Co-Produção Lendias d'Encantar e D'Dos (Cuba), 2007


O Amor é Solúvel na Água



Sinopse

À luz da ciência, dizem que o amor activa no cérebro uma série de hormonas responsáveis pela produção e transmissão de excitação nervosa. A esse neurotransmissor chama-se DOPAMINA. Intensa energia, regozijo, pupilas dilatas, pele arrepiada, seios arrebitados, são nada mais, nada menos, que reacções que se manifestam em resposta a estímulos de um emissor.
Num local atípico, uma taberna, três conhecidos: um taberneiro e dois clientes, desconversam sobre o sentimento. Um, António, sofre. O outro, Luís, tem fome. Teixeira, o taberneiro, de audição apurada, entre a cabecinha de borrego assada e dois dedos de conversa, lá vai metendo o bedelho onde não é chamado, assim como, vendendo o que tem de melhor: uma aguardente caseira que faz sentir a quem bebe, que a aldeia das tabuletas já esteve mais longe.
enquanto um constrói tristezas, o outro abate certezas. Um alicerça-se na dor da ausência, o outro já não tem paciência. Um diz, o outro desdiz. Um está assim, o ooutro preferia um assado. Um ainda quer da mesma solução, o outro diz que é beber da mesma infusão.
Se calhar, se do amor se fabricasse chá, de dopamina, está claro, a dor digeria-se com outra disposição. Sem abusar, numa chavema de água bem aquecida, misturar duas ou três colherinhas até a emoção se encontrar completamente dissolvida, depois é tomá-lo sem precipitações de qualquer espécie, em pequenos goles, caso contrário as queimadelas voltarão a abrir cicatriz.

Teixeira, o taberneiro, diz que não... Diz que o amor cegou porque a loucura nunca o abandonou.

Ficha Técnica

Texto Jorge Serafim
Encenação Colectiva
Interpretação António Revez, António Caturra, João Cataluna e Jorge Serafim

 
 

Uma produção Lendias d'Encantar, 2007

Deflagrações



Sinopse

Um espectáculo/performance de teatro e  música, em que a palavra dos poetas vive nas vozes dos actores. A construção/desarticulação dos poemas, permite um diálogo intenso entre as personagens criadas. Este espectáculo deflagra o amor, o erotismo e a sensualidade que a poesia contemporânea contem no seu mais íntimo reflexo amoroso.
Pretendemos com esta peça dar vida à poesia, aos alargados e ambiciosos sentimentos humanos.

Ficha Técnica

 Poemas de Eugénio de Andrade, Carreira Marques, Maria Teresa Horta, José Luís Peixoto, Nuno Júdice, Natália Correia
Concepção e Direcção António Revez
Música Paulo Ribeiro
Interpretação António Revez, Ana Ademar e Sandra Maya
Desenho de Luz Ivan Castro

 



Uma Produção Lendias d'Encantar, 2006

Zoo Story



 Sinopse

O carácter absurdo da existência levado aos limites por via do comportamento entre dois pontos de vista contraditórios:  o da resignação e o da revolta.
A alienação do indivíduo em relação ao seu semelhante, a solidão terrível de cada ser humano vivo, encontra eco na morte.
O isolamento, elemento comum à vida nas grandes cidades, é o que Jerry se sente desafiado a combater de forma rigorosa e agressiva.

Ficha Técnica

Texto Edward Albee
Encenação Júlio César Ramirez
Interpretação António Revez
Desenho de Luz Ivan Castro
 

 Uma Produção Lendias d'Encantar, 2006


29 de setembro de 2009

Catarinas de Baleizão



 Sinopse

Catarinas de Baleizão é uma peça que aborda a trajectória existencial de dois casais alentejanos, desde a sua adolescência até à maturidade da vida adulta, que vivem em épocas diferentes: um durante os anos 30 e 40 do século passado, e o outro do início dos anos noventa até à actualidade. Tendo como referência alguns dos factos e acontecimentos reais que marcaram a situação social, económica e política no Alentejona primeira metade do século XX e o percurso de vida de Catarina Eufémia e seu companheiro, António do Carmo (Carmona), um dos objectivos deste trabalho é contrastar, misturando a ficção e a realidade histórica, os universos mentais, éticos, cívicos, relacionais, de dois casais alentejanos de Baleizão em duas épocas distintas, dando conta, quer dos dilemas e conflitos interiores das personagens, quer das circunstâncias da vida rural, familiar, social, económica e política próprias de cada uma das épocas consideradas. Pretende-se também com este trabalho apresentar o heroísmo como um fôlego de dignidade e determinação, mas que não é imune a fraquezas e hesitações.
A peça é interpretada por dois actores que se vão desdobrando, ao longo das cenas, nas quatro personagens.

Texto de Apresentação

Quando a Lendias d'Encantar, na pessoa do meu irmão, António Marques Revez, me desafiou a escrever uma peça a partir do tema Catarina Eufémia, eu não hesitei. Quero dizer, hesitei, mas não lhes mostrei hesitação. O tema quase tanto de fascinante como de inquietante, e a confusão e ambiguidade entre o plano da realidade e o plano da ficção e do mito é uma constante em tudo o que possamos encontrar sobre Catarina Eufémia (testemunhos, documentos oficiais, relatos clínicos, notícias de jornal, propaganda partidária, poesia militante, etc). E há coisas que verdadeiramente ninguém nunca saberá, que foram enterradas com a vítima e com os seus algozes. Subsiste um embrulhada difícil de deslindar e quase sempre próxima de apropriações e questiúnculas ideológico-partidárias que são, diga-se, pouco interessantes e as que menos interessam para o caso.
Sabendo destes constragimentos, mesmo assim, aceitei. Neste país náufrago da memória colectiva ou que nela vê apenas uma oportunidade de manipulação ou retórica política, é necessário não somente "reconstituir" e "recriar" (histórica e literariamente) o passado recente como fazê-lo sem as amarras do engajamento político e sem a leviandade do enviesamento revisionista. Talvez por isso mesmo, porque eu não estaria habilitado para tanta "objectividade" histórica a solução acordada com os Lendias e com o encenador Júlio César Ramirez foi a de ensaiar um texto "híbrido", ou seja, entrelaçando a realidade dos factos e invenção imaginativa. Para tal, consultei vários documentos (artigos, entrevistas, relatos, reportagens) e entrevistei por diversas ocasiões António do Carmo (Carmona), o viúvo de Catarina Eufémia. O contacto com versões contraditórias e inconciliáveis dos acontecimentos foi dando razão à nossa escolha, que cada vez se pretendia mais focalizada na dimensão existencial e afectiva da vida da camponesa e do seu companheiro e na envolvente social, e menos no retrato político de uma época.
Resolvido este, permanecia ainda outro problema: cingirmo-nos à realidade da vida rural alentejana nos anos 30 a 50 do século XX, de que a história de vida de Catarina Eufémia fora um justo exemplo, ou prolongar o enfoque até aos nossos dias e imaginar uma Catarina de Baleizão contemporânea, heroína à sua maneira, frágil e forte como uma mulher qualquer, sempre também heroína à sua maneira. Decidimo-nos pela segund alternativa e assim jogar no constraste entre duas gerações de baleizoeiros, o mesmo é dizer, de alentejanos rurais, com linguagens, preocupações, conflitos e aspirações que trazem a marca de cada tempo e as dúvidas e incertezas de todo o tempo.
Celebrar a história e o presente, trazendo ao texto pessoas reias e problemas reais, é sempre uma boa pedagogia para o futuro, mais que não seja para se temer o regresso ao passado e a permanência de certo presente.
Catarinas de Baleizão quis chegar ao enquadramento social sem perder de vista o "interior" de personagens de "carne e osso", para que no fim, mais uma vez, o teatro nada fique a dever à vida e a vida se reveja no teatro.

António Manuel Revez
Portel, 10 de Maio 2005

Ficha Técnica

Texto António Manuel Revez
Encenação Júlio César Ramirez
Dramaturgia Júlio César Ramirez
Interpretação António Revez e Ana Ademar
Banda Sonora Paulo Ribeiro



 
Uma Produção Lendias d'Encantar, 2005

Frijoles Colorados



 Sinopse

Uma panela de pressão soa na sua máxima potência. Uns feijões vermelhos foram postos nessa panela há cem anos atrás e não há maneira de amaciarem.
Frederico: débil e submmisso, inseguro e medroso.
Matilde: enérgica, resolutaa e firme, jogam às identidades ambíguas, parecem ser irmãos e resulta que são marido e mulher, mas chegarão a transfigurar-se em mãe e filho, professora e aluno, representações de vários papéis no meio do medo em que sobrevivem, onde o mundo lá fora ou simplesmente o amanhã pressagiam desgraças. E até se faz alusão a um ciclone, esse fenómeno atmosférico muito presente no Caribe, que muitas vezes, à sua passagem, arrasa com a estabilidade das ilhas e suas gentes. Esse ciclone taambém pode ser o permanente desequilíbrio em que vivemos no mundo de hoje.
As personagens insultam-se com desastres culinários (à maneira cubana) "Un macho carmelita en médio del arroz", "un plato de yuca fria, sin mojo, a las once de la noche", "unos frijoles aguados, sin sal, ni ají, ni cebolla, ni... cucharadita de azzucar al final", ou se elogiam com deliciosas sobremesas: "eres un pozuelito de coco ralado com queso" e "trocitos de fruta bomba el almibar".
Uma suposta ratazana habita o andar de cima, ou dentro das suas cabeças, quem sabe. Pode até ser necessária a guerra como resposta à insistente situação de ameaça. Armados de utensílios domésticos, como um exercício disparatado, apressam-se a defender o seu único bem: a panela de feijões de vermelhos, que no clímax do delírio se transformam em munições por serem feijões muito duros e não se poderem comer.
Frijoles Colorados é uma comédia apetecível onde o teatro e as situações do absurdo fazem gala durante 70 minutos de espectáculo.

Ficha Técnica

Encenação Júlio César Ramirez
Actores Deisy Sanchez, Yakelin Yera e António Revez
Desenho de Luz Ivan Castro e Júlio César Ramirez


 




Uma Co-Produção Lendias d'Encantar e D'Dos (Cuba), 2005

22 de setembro de 2009

Comunidade



Sinopse
Um homem perante si.
Um universo social de miséria financeira, mas não humana. Um homem que vive num quarto alugado em conjunto com a sua tribo, cinco filhos e uma mulher criança grávida.
A atmosfera degradante das condições económicas é superada pelo amor e carinho vividos.
Um homem que luta para si e para os seus, sem perda da dignidade que lhe permite acordar para um novo dia.
A Comunidade é talvez o melhor texto de Luiz Pacheco. O mais cruel e intimista de todos. a actualidade desta obra é repugnante (tem mais de quarenta anos), hoje ainda existem artistas que se sujeitam a condições miseráveis de vida para que possam levar para a frente a sua vontade criadora. a atitude pestilenta e salazarista de calar com a miséria as vozes mais incómodas é ainda uma prática actual.


Ficha Técnica

Texto Luiz Pacheco
Encenação Carlos Curto
Interpretação António Revez
Banda Sonora Carlos Curto

Desenho de Luz e Operação Ivan Castro



Uma produção Lendias d'Encantar, 2005

Eroscópio


Sinopse
Um projecto concebido e desenvolvido inicialmente em espaços urbanos desactivados e decadentes, a sua dinâmica é adaptada a cada realidade, onde o amor e o erotismo constituem a essência viva que atravessa as ruínas tomadas de assalto pelas Lendias d'Encantar.
Uma intervenção artística multimédia em que o video, a música ao vivo e a arquitectura convergem para a elaboração de um universo poético que se alimenta das palavras de inúmeros poetas nacionais. Como uma flor que desponta numa selva de asfalto, Eroscópio é também uma visão do amor pela lente de alguns dos grandes poetas de alma portuguesa.
Ficha Técnica

Poemas de Eugénio de Andrade, Al Berto, Natália Correia, Manuel Alegre, José Luís Peixoto, Fernando Pinto do Amaral, David Mourão-Ferreira, António Gancho, João Rui de Sousa, entre outros.
Concepção António Revez e Paulo Ribeiro
Música Paulo Ribeiro
Interpretação/Voz António Revez
Músicos Paulo Ribeiro, Manuel Nobre, César Filipe, Marco Cesário, Nuno Figueiredo
Videos/Ilustrações António Carvalho e Nuno Correia
Instalações Sonoras Paulo Ribeiro






Uma Produção Lendias d'Encantar, 2004